Moça bonita


Moça bonita, mas de coração apertado
há tanto dentro dela que nem cabe
exala amor, exala saudade
exala uma culpa que não lhe cabe.

Moça bonita que não sabe a verdade
amor não se pede, se dá
e se não recebido não tem porque se culpar
amor de verdade ele chega pra somar.

Ah, moça bonita
olha o lado e vê o mundo
vê que tudo agora começou
que você não perdeu, Deus te livrou.

Minha moça bonita
olha pra o lado e me vê
vira teu rosto bonito
enxerga que ao teu lado há quem gosta de você.

Os corpos falam


Eu sempre achei quem a gente fosse bom em fingir, visto que a gente já enganou muita gente com o nosso discurso de apenas amigos. Mas esses dias, depois de uma amiga minha vir falar de você, eu percebi que a gente mente mal, e tudo isso porque os nossos corpos falam.
Neste mesmo dia em que minha amiga falou de você, eu te vi. Vi quando você tentou fingir que não tinha me visto, mas como ficou de olho em mim enquanto eu fingia não olhar para você. E percebi em mim a ânsia de passar por onde você estava, fingindo pra mim mesma que era apenas pra ver o quanto você iria manter aquela pose.
A gente se entrega quando você fala mais alto ou coça a garganta toda vez que passa por perto de mim e eu não te vejo, ou no momento em que de todos os lugares no mundo, você prefere estar perto de onde eu estou. Eu deixo claro nas vezes em que me remexo na cadeira, parecendo instantaneamente desconfortável, ou nas vezes em que fico me virando e te procurando nos lugares.
A gente se entrega até quando ri.
Quem nos conhece direito sabe que a gente muda, e talvez não falem nada por não saberem de tudo que já rolou. Eles temem nos contar o quanto mudamos quando estamos perto um do outro porque acham que a gente vai pensar poderíamos ter tido algo que agora não dá. Mal sabem eles que essa dança a gente já dançou faz tempo e que a gente não daria certo nunca. É por isso que nossos corpos falam, porque embora nossa mente já tenha entendido, depois dos nossos beijos nossos corpos ainda custam a entender.

Carta para o futuro


Primeiro de tudo, eu espero que você esteja bem. O que faz com que eu também espere que você tenha mudado um pouco, parado de se cobrar tanto. Eu sei o quanto isso pesa em você. Então, que o peso tenha aliviado e que você esteja bem.
Dependendo da data que você me leia, talvez você já esteja longe, tomara que esteja. Mas eu só queria te dizer que caso não tenha conseguido, eu te entendo e não vou te crucificar. Talvez você já esteja fazendo isso muito bem sozinha. Mas deixa eu te dizer mais uma coisa...
Tá tudo bem mudar. Embora eu ainda não aceite isso tão bem, torço pra que você já tenha entendido isso.
Talvez os sonhos tenham mudado, a realidade e as prioridades também. Eu jamais te cobraria ser a mesma de sempre. Seu maior defeito foi justamente tentar se enquadrar no mesmo molde e sofrer quando claramente não cabia.
Caso você leia isto quando tudo estiver uma bosta, só lembra que você já esteve nessa posição antes e conseguiu passar, a gente sempre consegue, se quer saber. Se você não acredita, tentar lembrar que isso é apenas sua mente tentando te pregar uma peça pela milésima vez. Ela sempre fez isso, lembra?
Mas caso você esteja muito bem, eu só te digo que estou igualmente orgulhosa. Talvez um pouco mais feliz porque é sempre bom saber que tudo correu bem e saiu como planejado, mesmo que agora eu nem saiba qual é o plano que você tá seguindo. Parabéns!
Só quero te dizer que eu vou tá sempre orgulhosa de você e torcendo pra que você acredite nisto, que já seja capaz disto. Você passou por uns maus bocados, menina. Então só respira e lembra-se de tudo isso pra que perceba o que ainda me custa acreditar.
Que tu tenhas muitos sorrisos e que valorize cada pessoa e coisa que te trazem eles. Que tu tenhas mudado muita coisa, mas que nunca tenha perdido essa tua facilidade de rir mesmo quando quer chorar. Que tudo corra bem, ou melhor, que tu vejas que no final tudo vai ficar sempre bem. 

Te Contando: Capuleto



Informações

Título: Capuleto
Autora: Bella Borges
Editora: Kazuá

Sinopse

O despertar de um amor, um olhar, uma fagulha. Quem nunca viveu um amor impossível? Quem nunca quis superar as barreiras do tempo, do espaço, das conveniências e obrigações?
Nessa história, Willian se apaixona por uma estrela distante, Julieta, que se torna a única estrela de seu céu. Esse amor o completa, mas o divide. Diversas situações afastam o casal: a guerra, os interesses familiares, as obrigações... Mas o amor resiste. Cada um partiu com um pedacinho do outro, e assim tentam cuidar de si e da lembrança dos breves momentos que compartilharam.
A história de Julieta e Willian retrata o desejo de lutar, essa avalanche de sentimentos que chegam com o amor. Especialmente um amor tão puro quanto esse. Um amor do qual temos saudades.



Minha opinião

Capuleto é um livro para quem ama, e até mesmo para quem precisa amar. Doce e cheio daquele amor exagerado que a história Romeu e Julieta - obra que inspirou a autora - tem.
Este livro me chamou atenção assim que descobri que a Bella queria contar como poderia ter surgido a aclamada obra de Shakespeare, e é ótimo sentir que tudo que foi contado poderia muito bem ser real, porque a gente consegue sentir todo o amor de Willian por sua amada Julieta, assim como conseguimos perceber seu amor pela escrita.
Um noivado não desejado, uma guerra e até mesmo uma paixão indesejada tentam atrapalhar o amor de Willian e Julieta, mas a cada página do livro vemos que esse amor jamais poderá ser substituído ou vencido.
A edição do livro não é cem por cento, infelizmente a troca de ponto de vistas – seja entre os personagens principais, ou com a terceira pessoa – fica um pouco confusa e isso atrapalha um pouco. Bella escreveu o livro ainda muito nova, mas fica clara sua paixão pelo que faz e estou certa que com o amadurecimento virá coisas ainda mais bonitas. Inclusive, ela lançou mais um livro.
Em suma, Capuleto é um ótimo pedido para quem quer uma história de amor cheia de desafios, mas também doçura. Willian é um amante de Julieta e das palavras, estou certa que você sentirá esse amor também.

Frases do livro:

“É um amor pobre aquele que se pode medir.”
“Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra.”
“Foi aí que eu soube: amor é compreensão. É ser feliz por ver o outro feliz.”


Minha nota: 8,0

Entrevista com a autora Bella Borges


Que tal começarmos o ano com novidades?
Hoje tenho a felicidade de contar que conseguimos nossa primeira parceria. A Bella Borges é uma autora muito querida e em breve teremos resenha de um dos seus livros. Mas antes, que tal conhecermos um pouco mais sobre ela? Trago pra vocês uma breve e simples entrevista que fiz com ela.
Espero que gostem.

Você é uma autora muito jovem. Quando você começou a escrever?
Aos 12 anos.

Ao ler um pouco sobre seu primeiro livro, descobri que inicialmente ele foi escrito como uma fanfiction. Como surgiu a proposta de publicá-lo? Bateu aquele medo?
Era uma fanfic, pois era a forma mais fácil de divulgar o meu trabalho. Quando vi que tinha muitas criticas positivas, eu resolvi publicar. 

A gente sabe que todo autor tem um processo de escrita, ou melhor, tem algo que sempre o inspira. O que seria isso na sua vida?
Acredito que seja o amor.

Outra coisa que descobri sobre você, é que você é fã de Nicholas Sparks. Fala um pouco de como essa paixão pelos livros dele começou e nos conta quais seriam os seus outros autores preferidos.
Ele que me levou para esse mundo dos livros romanticos, sou apaixonada por esse ramo e meu sonho era participar! 

Falando agora sobre suas obras. Como surgiu a ideia de escrever Capuleto, seu primeiro livro?
Eu queria escrever algo relacionado a Shakespeare, o resto foi vindo naturalmente

Qual foi o maior desafio no processo de escrita do mesmo?
Acho que por eu ter escrito muito nova, com 14 anos, a maturidade da escrita era algo a desejar. 

Recentemente você lançou seu segundo livro, nos fala um pouco mais sobre ele.
É um livro diferente, mas eu me lembro com muito carinho a época que comecei a escrever sobre ele. Estava na escola e sofria bullying, e ele me ajudou a vencer aquela etapa. Espero que faça o mesmo com as pessoas que estejam passando por momentos difíceis na vida. 

Estamos no final da nossa entrevista e queria te agradecer pela parceria com o Quando Acordei, mas antes de nos despedirmos queria fazer um pequeno bate-bola com você. Quero que responda a primeira coisa que te vem à cabeça ao ler algumas palavras.
Paixão: O meu amor, amigos e família.
Sonho: Conhecer Paris.
Medo: Tenho muitos haha.
Vício: Comida Italiana.
Conquista: Meu curso de Psicologia.
Razão: Sempre ter empatia pelas pessoas.
Inspiração: Pessoas que estão no meu convívio. 

Então, leitores, é isso. Tomara que tenha gostado da Bella e aguardem que logo, logo tem resenha de Capuleto para vocês.

Nós


Antes de escrever sobre a gente eu fui reler alguns outros textos meus. Fui buscar uma inspiração maior que a gente, porque embora escrever sobre nós esteja sempre em minha mente, eu não conseguia pensar em um bom começo. Talvez porque o nosso começo não tenha tido jeito de começo.
A gente só ficou se encarando sem nem saber se era mesmo correto rolar alguma coisa. E quando as olhadas tornaram-se conversas a gente já foi logo falando do que é, provavelmente, nossa maior diferença. Sem contar o fato dos olhos atentos de quem nos rodeava. A gente começou mesmo depois que você foi embora.
E a gente começou tudo errado.
Talvez a verdade seja que nós dois, juntos, seja errado. Assim como achamos no início de tudo.
Ou talvez não, a soma de nós dois é confusa demais pra entender em apenas algumas palavras.
A verdade é que boa parte desse nosso nós se resume a isso. Aquelas idas e vindas, aquele certo e errado, o não e o sim. E pra mim, a pessoa mais insegura que conheço, isso é bem mais do que eu posso compreender. Então vem o medo.
Medo de que você possa ser o certo. De que você seja ainda mais errado do que já é. De que eu me torne o erro. E de acreditar que possamos ser um acerto.
A gente dar certo seria o final mais surreal da história. Seria surpresa pra qualquer um. E eu não conto com essa possibilidade. Eu sempre gostei do óbvio. Do prático. Da ausência de grandes surpresas.
E é por isso que assim como eu não conseguia fazer um início, eu também não sei como encerrar esse texto. Porque eu não sei como vamos terminar. E eu não quero pensar.
Eu prefiro que por hora tudo continue assim. Empurrando com a barriga? Talvez. Mas eu prefiro chamar daquele velho clichê. Eu chamo de viver um dia de cada vez.

Sobre diferenças



Dia desses, eu estava sentada com alguns amigos e lembrei-me do quanto eu tinha uma impressão diferente deles antes de conhecê-los melhor. Não falo daquele tipo de birra boba que a gente tem com alguém que nunca falamos, digo sobre o que me veio à mente quando olhei o óculos de um, a tatuagem do outro, o gosto musical do terceiro... Do que também veio à mente deles quando me viram sempre de saia ou vestido, usando óculos e falando pelos cotovelos.
Eles são tão diferentes do que eu pensava, eu sou diferente do que eles imaginaram.
Parei e pensei em quantas vezes nessa vida a gente não faz isso, não concluímos que conhecemos alguém apenas pelo que vemos e pela meia dúzia de palavras que trocamos. Grande erro.
Aquele rapaz mais diferente de mim se mostrou alguém receptivo para ouvir do meu mundo, mesmo entendo tão pouco. E aquele que mais se parecia comigo foi um dos que mais tive que me adaptar às nossas diferenças para que eu não deixasse de admirá-lo. Afinal, quem tem culpa por não ser o que a gente esperou que a pessoa fosse? Por que querer que as pessoas se comportem da maneira que a gente achou que elas eram?
O mundo é volátil, nossas ideias também. E as nossas conclusões mais ainda.
Não importa quantas vezes a gente olhe para um alguém e quantas conclusões possamos tomar com essas olhadas, se a gente não parar para conhecê-la de verdade, nunca saberemos quem essa pessoa é. E essa é a única verdade.

Ninguém, por mais óbvia que essa pessoa possa ser, é apenas o que a gente vê. Essa é a conclusão que devemos ter.

Entre, retire e vá embora


A gente pode nunca ter chegado a ficar realmente juntos, mas tanto eu como você deixou muito de nós no outro e está na hora de cada um recolher o que foi deixado.
Você, pela primeira vez em todo esse tempo, tomou a iniciativa e foi o primeiro a apanhar tudo que eu deixei aí e jogar fora. Se não jogou, com toda certeza guardou em mais uma de suas inúmeras gavetas de sentimentos que morrem calados. Já eu, mais uma vez, fui ingênua e preferi deixar tudo do mesmo jeito que você deixou, meio bagunçado, sabemos. Mas preferi não mexer em nada pra o caso de você mais uma vez voltar e fingir que nada tinha acontecido.
Antes seu jeito era algo que eu achava engraçado e que me fazia acreditar que tudo era tão forte que no final você sempre percebia que a pessoa era eu. Só que não parece que você vai voltar, e, caso volte, não acharei graça e muito menos romântico.
Tudo, exatamente tudo, um dia cansa. Não importa o que seja. Um dia vamos olhar e ver que se esse tudo virou excesso, ele também ficou cansativo. E eu cansei.
Cansei desse seu jeito bobo de agir. Das suas graças. Cansei das suas grosserias, mesmo que poucas. E também cansei do seu excesso de fofura, como sempre chamei. Cansei de mim com você, se quer saber. Mas, principalmente, cansei da espera.
Então vou fazer como você, vou tirar tudo que é seu daqui. E se puder me fazer um favor, retire aquelas coisas que só podem ser tiradas por ti. Mas na hora de fazer isso, não precisa me olhar, nem dizer que lamenta tudo e que ainda é o melhor amigo, não preciso de mentiras.
Retire tudo, não deixe nem aquilo que parece não ter importância. Acabe com tudo, seja rápido e me ignore ao máximo. E não se esqueça de trancar tudo na hora de sair e jogar a chave fora, porque caso queria novamente entrar, vai ver que você mesmo trancou tudo e acabou com as suas chances de voltar.