Desculpem o transtorno, precisamos falar de relacionamentos abusivos

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sei que hoje o post deveria ser Música da Semana, mas não posso, então, desculpem o transtorno, mas precisamos falar de relacionamentos abusivos.
Não sei se todos aqui sabem quem são, mas há um “casal” no BBB que tem levantado muita polêmica. Emilly – uma menina de vinte anos com valores bastante deturpados- e Marcos – um homem de quase quarenta anos que sempre insistiu em ficar com a tal Emilly e finalmente conseguiu – formam um casal que tem a maior torcida do programa. Talvez isso se deva ao fato de que o tal Marcos se comportava como um verdadeiro príncipe no início; eram flores, declarações, conversas até o amanhecer; e a menina conseguiu a torcida por ser bonita, jovem e ser aquele típico personagem que erra, mas parece tentar acertar, mesmo que por interesse. Mas a verdade é que pouco importa quem eles se mostraram no início, o assunto deste texto tem mais a ver com o relacionamento tóxico e abusivo que os dois mantém hoje, e que infelizmente é o reflexo de vários outros que existem aqui fora.
Existe um ditado que diz que só quem já passou, é quem sabe como é aquela experiência, isso é verdade, mas quando se trata de relacionamentos abusivos, é preciso que todos saibam, porque nem sempre quem passa consegue sair para contar a experiência depois. Então, deixa eu falar um pouco sobre o relacionamentos desse casal do BBB e talvez falar um pouco de você.
Marcos, que sempre tenta parecer muito maduro e acima de qualquer erro, durante o andar desse relacionamento começou a cansar de alguns defeitos – que sempre estiveram lá – na Emilly, mas por interesse algum motivo ele não acabou com a mesma, em vez disso resolveu agir como se fosse o pai da menina e começou a tentar educá-la de um novo jeito. Não é errado você querer que seu parceiro melhore, claro, mas há um grande problema quando você começa a diminuir aquela pessoa e passa a acreditar que ela é a imperfeição em pessoa, e você a personificação das coisas boas. É isso que acontece com esse casal.
Mas não parou por aí...
O homem em questão começou a usar uma outra garota – Vivian -, que também está na casa e que Emilly sempre teve um atrito, para fazer ciúmes em sua “namorada” e também para mostrar o que seria uma mulher perfeita e em como a sua parceira estava longe disso, é válido lembrar que essa segunda garota nunca teve nenhuma proximidade com ele. Com a Emilly sempre se assumindo uma garota possessiva, era óbvio que as tentativas de seu namorado teriam uma reação. Ela começava a nutrir mais raiva pela colega de confinamento e ter ataques de ciúmes, e o que seu namorado fazia era acusar a mesma de “surtar” sem motivo algum e dizer que ela precisava amadurecer.
Com tantas brigas do casal, pessoas próximas começaram a tentar interferir, aconselhar ambos os lados, mas a menina se dizia apaixonada e ele criticava a parceira, mas depois “desculpava” a mesma e ficava com ela, não sem antes mostrá-la o quanto ela deveria ser grata por ele ainda estar com ela. As brigas foram ficando maiores e o Marcos sempre vinha com um novo método de educar a Emilly, mas no fim era sempre da mesma maneira: ela tentava falar, ele não escutava, ela gritava, ele repreendia e aproveitava o momento para mostrar que ela ainda era imatura e pouco demais para o que ele esperava de uma mulher.
Mas acredite, diminuir, provocar, não escutar e mais uma vez diminuir a namorada não foram as únicas coisas que aconteceram. Não para por aqui...
Com o passar do tempo o rapaz começou a ficar cada vez mais agressivo e autoritário. As repreensões foram virando gritos cada vez mais altos, os conselhos começaram a ser dados com o dedo no rosto dela e as humilhações ficaram cada vez mais constantes, até que na noite de sábado tudo pareceu passar dos limites.
O casal discutiu e ao ver a parceira conversando com uma terceira pessoa que ele não gosta, o homem entrou na conversa já xingando essa terceira pessoa e exigindo que a mesma deixasse sua namorada sozinha. Emilly bem que tentou explicar que não estavam falando dele, mas ele não escutou e exigiu que a menina saísse da festa para falar com ele, acostumada a fazer tudo que ele manda, mesmo a contragosto e claramente assustada, ela foi. Eles conversaram – na verdade ele falou e ela escutou – e ficaram mais calmos, mas mais uma vez Marcos colocou Vivian na conversa e tudo acabou virando uma enorme briga. Foi aí que vimos o quão tóxico é esse relacionamento.
Marcos encurralou a menina contra a parede e começou a gritar descontroladamente com o dedo no rosto dela, com medo de algo pior acontecer uma outra pessoa teve que intervir e pedir calma. O casal migrou para outro cômodo e mesmo a garota pedindo para ele se manter longe, Marcos não obedeceu e quando viu que ela não pararia, começou a segurar seu punho para que ela ficasse onde estava, mesmo com ela reclamando que aquilo estava machucando-a. Depois vimos uma coisa parecida com abraço, mas que não era, ele machucando a mão da mesma, ela com cara de pânico, depois ele se jogando por cima dela e chorando, dizendo que ela não poderia acabar com o relacionamento deles. Ela chorou junto e aceitando a culpa que ele lhe deu, acabou consolando ele.
No dia seguinte eles voltaram a conversar e mais uma vez os ânimos se exaltaram, foi aí que depois de mais um apertão no punho, Emilly falou que não iria mais aceitar beliscão, ou apertão, que o braço dela estava dolorido por causa disso. Não houve pedidos de desculpa.
A produção – erroneamente – escolheu apenas conversar com os dois separadamente e Emilly pareceu enxergar minimamente o que estava sofrendo, mas seu namorado começou a perguntar o que tinham falado para ela e quando percebeu o que estava acontecendo falou que a mesma era a única pessoa capaz de colocá-lo para fora de lá, porque ela conseguia desestruturar ele e que era isso que ela estava fazendo, sua atitudes eram porque Emilly causava isso nele, não porque ele queria.
Você pode achar isso coisa de casal, mas eu preciso te dizer que não é. Um casal, casal de verdade, eles fazem bem um pra outro. Em um namoro saudável seu parceiro (a) não vai usar outras pessoas para te irritar e mesmo que cometa esse erro, ele vai reconhecer isso depois. Se você tem um bom namoro, a outra pessoa não vai sempre jogar os seus defeitos “na rodinha”, você não será diminuída e ela não vai te fazer acreditar que é pouco demais pra mesma nem que você deveria agradecer por ainda tê-la em sua vida. Ela vai ficar na sua vida sem te cobrar um obrigada diário. Preciso que entendas que não é aceitável alguém te colocar contra a parede e lá gritar e colocar o dedo no seu rosto, muito menos te beliscar, e machucar você, essas últimas coisas, são verdadeiramente agressão.
Se você vive algo parecido com o que falei aqui, a luz vermelha acabou de ascender para você e é hora de sair desse relacionamento. Você pode ter defeitos graves, e deve sim melhorar, mas não deve ficar em um relacionamento que te diminui e usa isso contra você constantemente. Quem ama ajuda, compreende, é parceiro, e diminuir você não é amor. Se a pessoa que você tem do seu lado te machuca fisicamente, mesmo sem tapas ou murros, saia dessa, é agressão do mesmo jeito.
E sim, é normal você não ter percebido antes que vivia em um relacionamento abusivo, é muito comum você achar que na verdade a pessoa é muito boa para você mesmo ele fazendo isso, mas aproveite que finalmente viu e corre daí.
E por fim, machucar fisicamente é o estágio final de um relacionamento abusivo e várias vezes ele nunca acontece, mas ainda assim, não deixa de ser abuso. Na maioria das vezes a pessoa meche apenas com seu psicológico, e não ache que isso é pouco, é muito, é mais do que muitas pessoas podem aguentar. Não espere chegar ao último estágio e muito menos tente ficar até onde aguentar. Saia hoje, porque você pode não ter chances, nem forças para sair depois. E se você, caro leitor aí do outro lado da tela estiver passando por isso e teme sair e ser machucado, procure ajuda, se quiser conversar estou aqui, na aba contato tem o email do blog, mas minhas redes sociais estão abertas para você. Só me escuta, saí dessa. Saí daí por favor.

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