Eu queria amar você


Não estamos nos apaixonando. Eu ainda não te quero do meu lado sempre, não desejo seus beijos mais que todos os outros, sequer quero desejar isso um dia. Os dias estão passando e eu não estou me apaixonando.
É estranho dizer, ainda mais quando se é o tipo de pessoa que espera sempre mais do que deveria, mas os dias passam e a única coisa que quero é ter você fisicamente. Porque isso você é: é quem eu penso em ligar quando a carência aperta, quem eu desejo pra beijar sem complicações, quem me vem à mente quando tô com vontade de estar nos braços de alguém. Mas é só isso, e tá tudo começando a me entristecer.  
Eu queria me apaixonar por você, garoto. Queria você apaixonado por mim também. Eu tô sentindo falta de amar e queria amar você, por mais que nós dois saibamos a burrice que seria isso. Eu não quero mais me sentir vazia assim que a gente se deixa.
Eu queria mesmo era gostar de você. 
Mas você não me deixa, tu não me permites, você sempre me avisa. Pela primeira vez eu consigo seguir com uma amizade colorida e por isso não dá mais certo. Porque eu quero amar, e eu queria amar você, mas isso não vai acontecer.


Sobre os medos



Alguns anos atrás, enquanto viajava com uma turma de pessoas que eu me perguntava como havia parado alí, lembro de ter visto uma pichação que dizia: “o que é pior, o medo ou a incerteza?” Se a viagem até aquele momento não tinha mexido nada comigo, aquela frase tinha me tocado de forma que cheguei em casa com a sensação de que tinha valido a pena.
Sempre fui – e talvez nunca deixe de ser – muito cautelosa. Minha infância e adolescência foram marcadas por amigas que diziam que eu era chata demais por sempre puxá-las de volta a terra quando alguma delas resolvia viajar na maionese. Sou a garota que pesa os prós e os contras e acaba até dando um peso maior ou segundo. Quase nunca tomo decisões precipitadas, não arrisco quando tenho muito em jogo. Mas já faz alguns dias que ando meu perguntando: isso tudo é cuidado ou medo?
Quantas vezes a gente não chama de cautela o que no fundo a gente sabe que é medo? Quantas vezes não negamos, até pra nós mesmos, que queríamos sim fazer tal coisa, mas somos medrosos demais pra isso? Sabe, eu me perguntei essas coisas e vi que havia sim cuidado, mas também havia muito medo. Houve coisas e ainda há coisas que não vivi e não vivo por medo. E tantas delas eu gostaria e ainda tenho desejo de fazer.
A melhor forma de encerrar um assunto é dando um closure – algo como encerramento em português- a esse assunto. Você se sente livre, limpa, pronta para outro começo. Não há nada que pese mais do que um “e se”. E a incerteza é isso: uma soma de e se’s que nunca terminam, afinal, uma atitude leva a outra. Eu tenho minha cota de incertezas, muitas dessas pesadas demais nos dias ruins. Algumas que eu daria tudo pra poder voltar no tempo e ter vivido, me jogado de cabeça, por mais que o medo fizesse aquilo parecer grande demais. Essas a gente não esquece nem nos dias bons, porque muitas coisas as lembram, e aí vem a vontade e a saudade de algo que nem se viveu.
Medo não é de todo ruim. Ele às vezes faz bem, te deixa realmente mais cuidadoso. Mas temer apesar de toda vontade e das grandes oportunidades é terrível. Suas escolhas realmente definem quem você é, quando se toma um caminho automaticamente abre-se mão de outro. Do que você vem abrindo mão por falta de coragem?
Que nesse ano a gente possa se abrir para as oportunidades que virão, que se der, a gente repare as decisões de antes e viva o que não vivemos. Que o medo nos torne observador, mas não nos congele. Nesse novo ciclo só desejo que possamos vencer o medo e sair da inércia que impusemos a nós mesmos, porque o mundo é grande, a vida é longa e as experiências que vivemos é que fazem tudo valer a pena.