quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Foi assim



Eu estava sentada no ônibus quando aquele rapaz de cabelo baixo e cara de anjo entra e me faz despertar dos pensamentos idiotas sobre como minha vida anda meio fora de ordem e entediante.
Rapidamente arrumo meu cabelo, penso até em passar perfume. Faz tanto tempo que não vejo alguém tão bonito no ônibus e ainda mais escolhendo sentar ao meu lado.

Ele senta, mas ao contrário do que esperava, ele não fala nada. Apenas senta e coloca seus fones de ouvido. " Ah não, fones de ouvido não! Converse comigo João. Ou será Paulo? Não, não. Ele tem cara de Joaquim. " Penso, enquanto olho de soslaio pra ele.

Minutos depois ele me olha, já disse que ele tem um olhar lindo? Acho que vou chama-lo de Gabriel, ele tem cara de anjo. Ele continua a me olhar e chego até a pensar que ele está me paquerando, mas pela cara de vergonha e até de medo dele percebo que ele esta apenas um pouco assustado com o fato de que não paro de o olhar e estou pensando um pouco alto. " Eu não sou louca não Gabriel, juro que sou legal " pensei em dizer. Mas acho que não cairia bem, não é mesmo?

Até que avisto minha parada. Minha vontade era gritar: “ Agora é a hora que você pede meu número! ” Mas isso só confirmaria a sua suspeita de que sou uma louca. Quando levanto para descer percebo que ele faz o mesmo. Torço pra ele descer junto comigo e pra minha felicidade isso acontece.
- Isso é seu?
Ele me pergunta pegando um papel no chão. De fato aquilo não era meu, mas resolvi dizer que sim só pra poder puxar papo.
- Ah, é sim. Obrigada mesmo.
Ele novamente olha com aquele olhar envergonhado e de começo eu não entendo o porquê, mas quando pego o papel percebo que se trata de uma boate um pouco diferenciada, se é que me entendem.
- Ai meu Deus.
Levo a mão a boca envergonhada.
- Isso não é meu não, moço... Não me olhe desse jeito. Eu juro que não frequento esses lugares.
- Tudo bem, moça.
Ele diz como se tentasse passar a impressão de que tudo bem eu gostar de lugares assim.
- Eu juro que não é meu. Foi um engano. Eu só...só
Resolvo parar quando percebo seu ar de riso e seu olhar que agora estava ainda mais lindo.
- Só resolveu puxar papo.
Ele diz rindo.
- Eu... eu
Nem sei o que dizer depois que ele diz isso.
- Como é seu nome?
- Alicia. E o seu?
- Max
Pensei em dizer sobre minha previsão frustrada sobre seu nome. Mas isso não iria me ajudar.
- Te vejo amanhã no ônibus novamente?
- Ah, claro. Mora por aqui?
- Não exatamente... Bom, vou deixar o papel aqui pra o verdadeiro dono o encontrar.
Ele diz rindo e colocando o papel no chão.
- Até amanhã.
Ele diz voltando pra o ponto de ônibus e pegando um com o mesmo destino do que descemos. Olho confusa pra ele enquanto o vejo entrar no ônibus, e ele, com aquela cara de anjo diz:
- Só resolvi puxar papo.

E foi assim que eu me apaixonei dentro de um ônibus.


2 comentários :

  1. Cara, que lindo <3 Haha
    Mas eu acredito que seja assim que as coisas acontecem: Nos lugares mais improváveis e nos momentos mais simples.
    O texto é incrível e acredite: Já li mais de duas vezes ^o^

    http://imaginationrelease.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Won, obrigada. Que bom que gostou. E também penso igual a você, as vezes esperamos tanto que essas coisas aconteçam de uma maneira perfeita e arranjada, mas na verdade o amor está nas coisas mais simples.

    Beijos.

    ResponderExcluir